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Em entrevista a 5a edição do "CEFET-MG é notícia", divulgada em fevereiro de 2010, a assessora do Diretor-Geral do CEFET-MG, Maria Rita Neto Sales Oliveira,  justificou por que a instituição já tem características e funcionamento de uma universidade. Veja a seguir.
 
 
Por que o CEFET-MG optou por não se transformar em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia como os outros Cefets fizeram?
 
O CEFET-MG foi se construindo historicamente na direção de contemplar as características de uma universidade, antes mesmo do surgimento da proposta de criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Todo o esforço da instituição vem caminhando neste sentido e, hoje, podemos dizer que já temos estrutura e funcionamento de uma universidade.
Além dessa razão histórica, há também o incentivo legal da própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB, que definiu a possibilidade das universidades especializadas. Registro que já atendemos a todos os requisitos postos pelas legislações e documentos que regulamentam sobre a estrutura das universidades especializadas, no caso, Universidade Tecnológica. São elas: a LDB, a Resolução do Conselho Nacional de Educação - RES CNE 2/98, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – Sinaes e versões do projeto de reforma da educação.
Recebemos também, durante nossos esforços para transformação em Universidade Tecnológica (UT), incentivo político por parte do próprio Ministério da Educação – MEC e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – Setec. Em 2005, fomos estimulados pelo MEC a coordenar o seminário nacional “Cefet e Universidade Tecnológica”, que contou com recursos da Unesco. 

Esse seminário envolveu edições regionais, culminando no evento nacional, ocorrido em Brasília, em outuro de 2005. Um dos objetivos foi prover apoio técnico para a definição de políticas públicas sobre identidade e modelos de UT como estratégia para expansão e melhoria da Educação Profissional e Tecnológica. Na época, o CEFET-MG, o CEFET-RJ e o CEFET-PR já estavam em estágio avançado para alcançar a meta de transformação em UT. Destes, o CEFET-PR foi transformado, exatamente em outubro de 2005.

Quais são os critérios legais para a transformação do CEFET-MG em UT? A Instituição atende a todos eles?
Os critérios referem-se às áreas de ensino (graduação e pós-graduação), pesquisa, extensão, incluindo a produção intelectual, entre outros. Podemos dizer que, hoje, o CEFET-MG já atende a todos eles. No âmbito da graduação, por exemplo, o que se pede é que uma universidade especializada tenha oito cursos, em três áreas de conhecimento, com pelo menos seis deles em uma única área. O CEFET-MG possui, atualmente, 14 ofertas, nas áreas de Ciências Humanas (curso de Administração), Ciências Sociais (Formação Pedagógica de Docentes) e Engenharias, esta com nove cursos.

O CEFET-MG também cumpre as exigências para pós-graduação?
Sim. Exige-se, para uma universidade especializada, um curso de mestrado ou de doutorado. Hoje, já temos sete mestrados em funcionamento e um em fase de avaliação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes. Além disso, embora não seja uma exigência legal, já estamos em processo para abertura de dois doutorados. Os projetos serão submetidos à Capes ainda este ano.
 

Como estamos com relação à pesquisa?
Ultrapassamos e muito os requisitos da legislação. Uma das exigências é a presença de três grupos com linhas de pesquisa explicitadas e já temos mais de 40 grupos cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ. Também é necessário possuir programas de iniciação científica. Atualmente, já oferecemos cinco opções, segundo o último dado levantado de que disponho, datado de abril de 2009, totalizando 327 bolsas fornecidas pela própria instituição ou em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - Fapemig e o CNPQ. Além disso, é preciso que metade dos doutores da instituição esteja envolvida em atividades de pesquisa, com projetos cadastrados. No CEFET-MG, no início do ano passado, já tínhamos quase 80% dos doutores com esse perfil. Atualmente, essa porcentagem deve ser de 100%.

Há alguma exigência com relação a títulos de docentes?
Sim. Para ser uma universidade, é necessário que um terço do corpo docente tenha mestrado ou doutorado, o que equivale a 33% do quadro. No CEFET-MG, de acordo com dados de abril de 2009, 80% dos professores já possuem mestrado e/ou doutorado, fato a ser destacado, considerando-se que a instituição ainda não existe formalmente como universidade.

O que muda com a transformação do CEFET-MG em Universidade Tecnológica?
Já temos estrutura e funcionamento de uma universidade. Então, nada do que é desenvolvido aqui, de fato, mudaria substancialmente: a estrutura, o cotidiano e a cultura institucional. No entanto, com a transformação, além do reconhecimento público, teríamos mais chances de ampliação de fontes de financiamento que redundariam em maior aprimoramento da infraestrutura, por exemplo, além de melhores condições para o atendimento à função social do CEFET-MG. Com isso, ampliaríamos e diversificaríamos as alternativas de ensino superior gratuito de excelência em Minas Gerais e no país.

Com a transformação em Universidade Tecnológica, o CEFET-MG deixará de oferecer cursos técnicos gratuitos?
Não. Continuaremos a oferecer cursos técnicos gratuitos e de qualidade, como temos feito ao longo desses 100 anos. Isso já é uma tradição de nossa instituição, faz parte da trajetória histórica do CEFET-MG. Nosso modelo de Universidade Tecnológica não prevê a extinção de nenhum curso técnico. Pelo contrário, ao longo desses anos em que nos preparamos como UT, temos ampliado a oferta nesse nível de ensino.

O que precisa ser feito para que o CEFET-MG se transforme em Universidade Tecnológica?
Já temos, em mãos, uma universidade pronta, montada, em funcionamento. Precisamos somente da aprovação do MEC. A rigor, é inconcebível que o país "ponha para escanteio" uma universidade já existente. 


Qual o diferencial que ofereceríamos, como Universidade Tecnológica, em relação às universidades comuns?
A verticalização do ensino, ou seja, a oferta de cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, configurando um itinerário formativo completo, no âmbito da educação tecnológica; a integração entre ensino, pesquisa e extensão com atuação voltada prioritariamente para a ciência aplicada; e a relação escola-setor produtivo, com base na defesa da interação entre trabalha e cultura, tecnologia e ciência. Isso demarca nitidamente uma de nossas características diferenciadoras no âmbito do ensino superior.